Sai um poema da pedra

Publié le par Rosario Duarte da Costa

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Sai um poema da pedra

 

Nos campos a passarada

onde tudo parece calmo.

Os sobreiros como entrada

e uma mesa bem aberta

onde todas as aves comem

os manjares do seu dia

 

mas, não querem partilhar

nem frescura, nem calor

 

o céu parece esmagado

contra a terra empapoilada

Ele abre os olhos à luz

e tudo lhe parece vivo

flores, folhas e vestígios

daqueles tempos antigos

 

Chegam vozes lá do fundo

com sabores a sal já velho

É uma língua bem antiga

que sobe à face da terra

e, pergunta porque a mínguam,

a magoam e ultrajam

com novas ortografias

e novas filosofias

 

Só o gato mia, mia

     olhando o cão a ladrar

     Sai um poema da pedra

     estalando-lhe na pele,

     como um vidro já partido

Rosario Duarte da Costa

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11/04/2013

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Publié dans Les doigts du jour!

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