VISÃO DO ANJO de José Emílio-Nelson

Publié le par Rosario Duarte da Costa

 

 

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VISÃO DO ANJO

VISION DE L'ANGE

 

  [y que el excremento de la golondrina exalta al mes de mayo]

Rafael Alberti

 

 

Anjo glorioso licencioso, anjo, em véu cuspido,

Degolado em todo o seu torso nodoso e cintilante

(Deixar-se-á dentro do desarranjo, expirado.

Os dedos esfacelados dão-lhe um sino.)

Anjo de osso, ávido, de carbón, caído sobre si,

De excremento enferruja a harpa.

(Descarnado das penas alisada. Santo  de auréola trabalhada à peça.)

Conduzido pelo êxtase num rosário. Que a palidez da nuvem

                 descende dos céus.

(Apressemo-nos, a brancura das suas lágrimas roçam as noviças

E os do coro, crianças, não faltam os castrados com a luz que não

                  lhe nega as feições, a vela apagada, a do velório, enche-o

                  todo.)

(Anjo beatificado pela expectoração duma cruz usada à toa.)

Reluz a oração que sussurrou aquando da convulçãozinha. (Uma

                  gotinha “de alma em alma”, abençoada. O anjo nos soluços

                  devaneia.)

E morre de morrer.

Anjo, Anjo, anjo (de inerte, colegial, cabe num trapo ou sudário

                   engomado).

In: Ameaçado Vivendo (Obra Poética II [2005-2009]

De José Emílio-Nelson

Page 170

Rosario Duarte da Costa

Copyright

 

24/03/2013

José Emílio-Nelson est un poète, éditeur, critique né à

Espinho (nord du Portugal) en 1948.

J'aurai l'occasion de vous parler plus de lui.

 

 

 

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