ninguém imagina (Quase poema) (Presque poème)

Publié le par Rosario Duarte da Costa

Livre-Arbítrio

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Peça Chave

ninguém imagina

 

Não, ninguém imagina o que eu posso fazer quando,

sózinha e, sem quaisquer distúrbios,

me penduro no alpendre da noite, buscando novas ideias.

Ninguém se imagina, porque nunca ninguém poderá imaginar

o que me entra pela cabeça dentro ou,

o que é brotado cabeça fora.

 

Há tanta coisa que me beija, e tanta coisa que me morde;

e há deuses e espantalhos, levantando as poalhas das horas

- estas horas em que, só – olhando ao alredor - vejo

todas as poeiradas desta minha vida.

 

Ninguém se imagina a casa, que não é mais do que

uma gaveta, (uma gaiola doirada onde, me reforço),

mesmo se às vezes, ela me põe a alma escalabrada:

quando o meu nome “próprio”, se junta a um pronome

(relativo), às vezes (possessivo) e, eu ardo

-como arde a chama da vela- nas noites de festa,

deixando rastilho na toalha bordada...

Não, ninguém imagina, não se imagina,

como sou feliz aqui neste buraco (de betão armado)

onde coloquei um palco para o teatro da minha vida!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

24/09/2012

 

 

P d S, Arpoador - RJ

Publié dans Entre nous!

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