Hommage au Blog du Poète "Amadeu Baptista" dédié à la Poétesse Maria do Rosario Pedreira

Publié le par Rosario Duarte da Costa

Rien à dire... Rien à dire...

Ce n'est pas mon Blog, si celui d'Amadeu Baptista.

 

Et ce n'est pas sa poésie puisque c'est celle de la poétesse

Maria do Rosário Pedreira...

Vous les connaissez...

J'ai eu l'occasion de vos en parler ici.

Hommage aux deux poètes et, à a Poésie Portugaise!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

13/04/2012

 

AMADEU BAPTISTA  à son Invitée Maria do Rosário Pedreira

 

Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

Maria do Rosário Pedreira

Maria do Rosário Pedreira, poeta convidada
3 POEMAS
Vem ver-me antes que eu morra de amor — o sangue
arrefece dentro do meu corpo e as rosas desbotam
nas minhas mãos. Da minha cama ouço a tempestade
nos continentes; e já quis partir, deixar que o vento
levasse a minha mala por aí; fiz planos de correr mundo
para te esquecer — mas nunca abria a porta.
Vem ver-me enquanto não morro, mas vem de noite —
a luz sublinha a agonia de um rosto e quero que me recordes
como eu podia ter sido. Da minha cama vejo o sol
tatuar as costas do meu país; e já sonhei que o perseguia,
que desenhava o teu nome no veludo da areia e sentia
a vida pulsar nessa palavra como um músculo tenso
escondido sob a pele — mas depois acordava e não ia.
Vem ver-me antes que morra, mas vem depressa —
os livros resvalam-me do colo e o bolor avança
sobre a roupa. Da minha cama sinto o perfume das folhas
tombadas nos caminhos. O outono chegou. E o quarto
ficou tão frio de repente. E tu sem vires. Agora
quero deitar-me no tapete de musgo do jardim e ouvir
bater o coração da terra no meu peito. Os vermes
alimentam-se dos sonhos de quem morre. E tu não vens.
 (in O Canto do Vento nos Ciprestes, 2001)



FADO
Dizem os ventos que as marés não dormem esta noite.
Estou assustada à espera que regresses: as ondas já
engoliram a praia mais pequena e entornaram algas
nos vasos da varanda. E, na cidade, conta-se que
as praças acoitaram à tarde dezenas de gaivotas
que perseguiram os pombos e os morderam.
A lareira crepita lentamente. O pão ainda está morno
à tua mesa. Mas a água já ferveu três vezes
para o caldo. E em casa a luz fraqueja, não tarda
que se apague. E tu não tardes, que eu fiz um bolo
de ervas com canela; e há compota de ameixas
e suspiros e um cobertor de lã na cama e eu
estou assustada. A lua está apenas por metade,
a terra treme. E eu tremo, com medo que não voltes.
                             (in A Casa e o Cheiro dos Livros, 2001)




 
                            

Por serem mães, nem viram aquilo que
parecia um raio de sol interrompendo o
mundo; e levam os meninos mortos ao
colo no fio dos caminhos, confundindo
sempre a lã dos xailes com o calor do
sangue que lhes ensopa as mãos. Seguem
sem poder acreditar – ou então acreditam
que não seriam capazes de amar tanto
uma coisa parada no tempo, e por isso
vão, imperturbáveis, ouvindo bater dentro
do próprio peito os corações vermelhos
pequeníssimos. Mais adiante, deter-se-ão
para descobrir um seio redondo e cheio à
minúscula boca prometido – não vá ela
abrir-se de repente e, milagrosamente,
começar a chorar.
(inédito)
 
 Poemas: © de Maria do Rosário Pedreira
Fotos: ilustração dos poemas: © de Amadeu Baptista


Maria do Rosário Pedreira nasceu em Lisboa em 1959. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Clássica de Lisboa. Estudou paralelamente outros idiomas, como o alemão e o italiano. É editora e escritora. Recebeu vários prémios literários pela sua obra poética e as suas séries
 
 Poemas: © de Maria do Rosário Pedreira
Fotos: ilustração dos poemas: © de Amadeu Baptista

 

 

 

 

 

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Meyer Evelyne 16/04/2012 23:11


hello ,l'amie,bonne semaine 

Rosario Duarte da Costa 23/04/2012 10:01



Bonjour chère Evelyne!


Eh bien, avec mes petits enfants je n'ai pas eu un jour de repos. Ensuite Alexandre


est rentré et, comme bonne maman, j'ai du m'en occuper. Et, maintenant le w recommence...


Je ne t'ai pas oublié. Ni Nancy.


Bonne semaine à toi et, une bise!