Hoje 1° de Maio: (De Marine ao modelo Sarko)

Publié le par Rosario Duarte da Costa

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Hoje 1° de Maio

(De Marine ao modelo Sarko)

 

1)

É! Apesar de nos terem prometido chuva, é um lindo dia este 1° de Maio 2012.

Com o seu “muguet”, (que é habitual comprar em França), estes líriozitos brancos, umas campaínhazitas rupestres, que dizem

dar-nos sorte...

E comprei um ramito. Pequenino, já se sabe. Porque logo à noite

começo a secá-lo para o meter (como sempre) entre duas páginas

de um livro. É!

 

Tive coragem de ouvir Marina Le Pen. Tive... Pois habitualmente

nunca a oiço!

Fiquei com o estômago comprimido, o coração oprimido, recordando

um velho período sofrido, uma dôr que vem de longe e, quedo-me quase petrificada!

No entanto, satisfez-me o facto que esta não tenha aconselhado aos

seus aderentes e simpatizantes de votarem no Nicolas Sarkozy. É

já um ponto para os anti-sarkozistas. É!

 

2)

De tarde foi então o Presidente candidato em Paris até ao Trocadero

onde, a UMP se encontrava concentrada em massa. Ai, tantas bandeirinhas tricôres balaçando no ar. Um pouco à maneira Le Pen.

E, a direita satisfeita... Por um lado por tentar recuperar o dia do trabalho, por outra tentar recuperar votos do Front National e de

Bayrou para domingo.

E eis que o president/candidat entrou como num palco do teatro,

bariolando-o com o desemprego, o emprego e a luta contra as desigualdades.

Até aí já eu esperava. Só que, ao ouvi-lo dizer uma frase do General

de Gaulle, e falar depois de Lamartine, começei a inquiétar-me.

Porque não compreendi a associação da política com a literatura.

Houve depois um grito dele contra as bandeiras encarnadas e os

sindicatos que as hastejam. Vi logo onde ele queria chegar. Teriam

que se trocar as convicções pela bandeira Françesa. Lógico... Os sindicatos ali estavam perdendo os objectivos e méritos!

Mas foi ao ouvir NS falar de Jean Jaurés, Jean Moulin, de Zola, Dreyffus que fiquei colada a mim.

E depois mais: Chateaubriand,  Voltaire, Jeanne d’Arc, Napoléon Bonapart, com  o  Renascimento, a Resistência...

Começei a inquiétar-me. Estaria eu a ver o bom filme?!

Mas sim. Era mesmo. A recuperação à esquerda e à direita precisava

disso. Falar da cultura, da literatura, seja ela da esquerda ou da direita!

E acabei mesmo sem sôfrego. Com a herança da reconciliação da França

e da Alemanha.

A revendicação de todas as catedrais e igrejas Francesas. E as raízes

cristãs. Como se eu não soubésse.

Et, il propose la République du mérite!

Ai. E, volto ao Voltaire, o que é que o presidente/candidato queria dizer?!

“Le monde comme il va Zadig?!”

 

E assim acaba o spich. Com os Valores, a Identidade nacional e, as Fronteiras! Isto é o modelo: VIF!

Rosario Duarte da Costa

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01/05/2012

 

Publié dans Dialogues

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