História de Estantes e Bibliotecas (carta aberta, ao poeta Eduardo Pitta)

Publié le par Rosario Duarte da Costa

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Auteure: MARIA PIO"olhares.com"

Poesia...
História de Estantes e Bibliotecas
(ao poeta Eduardo Pitta)

 

Contava o poeta e cronista Eduardo Pitta, os seus problemas de

biblioteca pessoal, quando as prateleiras lhe caíram e teve que

refazer o arranjo de todos seus livros.

Respondi-lhe, porque é uma questão que se me põe periódicamente,

pois aqui em França utilizamos muito aquecimento e a madeira

reage muito. Junta-se-lhe o peso das obras, os bibelots que se lhes

põem ao lado e zás, cai tudo como se houvésse uma rabanada de

vento!

 

É verdade que ainda sou uma criança que não tem remédio nem

na velhice, os livros são para mim uma verdadeira história de amor.

Por isso, nunca mais deixarei de ficar pasmada diante deles, de os comprar e, enfim de procurar um buraquinho para os meter.

Disse-me uma vez um vendedor de móveis, que eu deveria utilizar

prateleiras de ferro. Que horror!

 

Por isso passo o meu tempo a limpar o pó (porque em estantes ninguém mexe), a tirar livros e prateleiras, verificando que os parafusitos não cederam e, toca a virar as prateleiras às direitas

e/ou às avessas, tudo depende de que lado estão...

 

E como ao arrumar as estantes cada vez redescubro alguma

coisinha de que já tinha esquecido, acabo sempre por ler e arranjar

novas ideias. É criativo partir estantes, caros amigos. É!

E, o que eu não disse ao Eduardo é, que eu sou alguém de desfasada,

vivendo entre duas fronteiras, com o pensamento oscilando entre

duas culturas, acabando por me enlear nelas, sem eu o querer.

 

Por fim, para que a minha história não seja desfeita, meto

umas esculturas de ébano à direita e à esquerda ( sempre a

brilharem no seu belo negro), significando a importânçia ou

não de Moçambique, mais umas balançazitas de cobre ( que nem

dão para me pesar), e colecções de caixinhas, pedrinhas e chaves

de bronze ou de outro metal, acabando de ter toda a minha

loucura sobre as prateleiras de madeira.

Mas que coisa, meu amigo Eduardo Pitta! Um abraço e, Feliz Páscoa

para si, Jorge, mãmã e, gatinha!

Rosario Duarte da Costa

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03/04/2012

 

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