Frente ao Namora!

Publié le par Rosario Duarte da Costa

 

 

 

Frente ao Namora!

Sou assim...

 

Cheguei a casa, tomei banho, bebi um cházinho com um bolito como

acompanhamento e, telefonei â minha banca!

O apartamento está um pouco desarranjado depois do ano  novo.

Diga--se que cada vez que chegam os meus netinhos, arrumo tudo

para não me desorganizar mas, acabo por ficar na mesma. Sim,

porque ando sempre à procura de documentos - tão bem arrumados que ficam escondidos por debaixo doutros. Mas, que mania!

Sentei-me no sofá fumando um cigarrito, olhei para a biblioteca

que está mesmo ao lado e, logo vi que os livros lusófonos ali estão todos arrumadinhos, com recordações junto deles - ali na prateleira.

Respirei. Pois sinto-me tão rica ao lado deles. Rica!

Peguei então num dos livros da série dos Namora:

“Diálogo em Setembro”,

que comprei em Agosto 1987, e que tinha sido editado em 1981

pela Livraria Bertrand.      

Está como novinho. Que graça!

Portanto li-o, ou melhor reli-o, várias vezes.

Veio-me logo à ideia a imagem fulgurante da tal história onde

alguém em França lhe tinha dito:

 – o pior inimigo do escritor é a sua família. Ainda as cinzas estão quentes e já a parentela rebusca nas arcas o que possa engordar a herança... Por louvável empenho em divulgar o que ficou esquecido?...

Para renovar o interesse pelo escritor? Raramente. Por voracidade?”

Sacré Fernando. Namora, bien sûr!

Busquei o parágrafo que transcrevi aqui, voltei as páginas e, de

repente disse-me: olha, lê-o novamente. Talvez o Namora o tenha escrito para ti!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

11/01/2013

 

http://bairrodavilarinha.blogs.sapo.pt/182043.html 

Ocorrem-me estas (…) considerações após a leitura do muito excelente e surpreendente livro que é Diálogo em Setembro.
A brilhante crónica que ele é pode considerar-se como uma espécie de visita póstuma a esse palácio da Grande Cultura (…) por que tantos anos, em vão, todos ansiámos.
Com justos motivos, a crítica festejou nesta obra uma originalidade de construção, a sábia mistura de crónica e de romance que a tece, mas a bem dizer o processo há muito havia aflorado no autor de Retalhos da Vida de um Médico.
O que surpreende em Diálogo em Setembro, é a extensão e o perfeito domínio de uma técnica, mas tudo isso é afinal bem exterior à «aventura» que na obra tem lugar e, sobretudo, àquela que a mesma representa.
Quinhentas e quarenta e duas páginas, o mais longo livro que o seu autor escreveu, para nos contar, novo Mendes Pinto dos mares da China da Cultura, as suas aventuras à beira do Leman, entre os tenores e as sereias dos célebres Encontros de Genebra, não é, já em si, um fenómeno extraordinário?
E, na aparência, de uma exorbitância que toca as raias do absurdo?
Mas é essa hipérbole mesma que confere a Diálogo em Setembro o seu profundo significado e faz dele uma obra imprescindível no processo acelerado da nossa autognose nacional.
Diálogo em Setembro pode ser lido, simultaneamente, como o monumento definitivo da nossa fascinação secular de provinciais em face da Europa e da sua superação em termos de convívio aberto e adulto (…).
Uma psicanálise de Portugal e do comportamento português, que confere a Diálogo em Setembro um inegável e raro interesse (…).
Fernando Namora oferece-nos um espelho incomum para nos vermos.
Debrucemo-nos nele.
EDUARDO LOURENÇO
O Comércio do Porto
(Suplemento de Cultura e Arte)
Sobre Diálogo em Setembro
FERNANDO NAMORA
Relação das personagens principais, verídicas ou fictícias, que entram nesta narrativa, pela ordem por que foram apresentadas ao leitor.
Jean Starobinski
Médico, filósofo, musicólogo; intelectual da cabeça aos pés.
Francisco Lyon de Castro
Editor de profissão e sonhador de vocação; exemplar companheiro de viagem.
Maryse Choisy
Escritora, directora da revista Psyché e dona de uma cadela pekinois.
Bernard Wall
Escritor, director da revista The Changing World, colaborador da B.B.C. e inglês muito «continentalizado».
Isabelle Vichniac
Jornalista, correspondente de Le Monde, mulher sensível e solidária.
Padre Fèvre
Sacerdote de vistas largas, professor, homem solícito e afável.
Jacques Givet
Poeta e andarilho, que viveu muitas vidas e lutou por nobres causas.
Ivan Popov
Escritor, crítico de arte, cuja sisudez mal esconde um carácter afectuoso.
Roger Caillois
Escritor, chefe de redacção da revista Diogène, intelectual de muitas lidas.
Ruth
Jovem que sabe o que quer e sabe o que faz, assistente de psiquiatria, que nos deixou um pequeno enigma por decifrar.
Pierre Abraham
Escritor, director da revista Europe, patriarca desafectado.
Louis Conffignal
Matemático, ciberneticista, inspector-geral da Instrução Pública francesa e palrador de prosa bem recheada.
Georges Zongolopoulos
Escultor grego; homem tranquilo.
Guido Calogero
Filósofo, professor da Universidade de Roma, a quem o fascismo fez viver martírios.

Padre Henri Niel
Filósofo, médico, doutor em Letras, professor da Universidade Católica de Lião.
Lubomir Kostov
Poeta, romancista, dramaturgo, humanista por temperamento e por convicção.
Fernand L. Mueller
Ensaísta, professor universitário, secretário-geral dos Encontros de Genebra, homem lhano e singelo.
Sra. Mueller
Deputada, e igualmente a simplicidade em pessoa.
Franz Beidler
Escritor, secretário da Sociedade de Escritores Suíços, neto e biógrafo de Wagner.
Jovem recepcionista de um hotel de Genebra
Estudante nas horas vagas, romântica sem o dizer em voz alta.
Philipp Brinkmann
Professor de Literatura da Universidade de Heidelberga e arauto de lirismos nem sempre oportunos.
Leszek Holynska
Filósofo, rapioqueiro e apreciador de belas damas.
Jacques Monod
Biologista, professor do Instituto Pasteur, Prémio Nobel e homem sem prosápias.
Julian de Ajuriaguerra
Médico, director da clínica psiquiátrica da Universidade de Genebra.
Justine
Mulher entre os trinta e os quarenta anos, andorinha dos Encontros, de quem pouco chegámos a saber.
Jacques Lepage
Jornalista, secretário dos Encontros poéticos de Caraze.
Carlo von Castelberg
Homem de negócios, viajeiro, poeta e pintor clandestino.
Peter Schifferli
Editor, artista que finge não o ser e hábil timoneiro do seu barco.
Robert Goutorbe
Ousado e sensato obreiro de grandes iniciativas: pés na terra e imaginação nos astros.
Sylvia Sprigge
Jornalista, escritora e ceramista serôdia.
Stanislaw Ulam
Cientista, conselheiro de pesquisas da Universidade da Califórnia e bom usuário da arma da comunicabilidade.
P. Langballe
Homem de negócios e fidalgo homem do mundo.
Etiennette Chalut-Bachofen
Jovem poetisa com bossa para aia de celebridades.
Tradutor de Krishnamurti
Personalidade sedosa e de alertada argúcia.
Armand Rozan
Sociólogo, professor da Universidade de Bruxelas e observador céptico mas sem derrotismos.
Vercors
Escritor e tudo o mais que dele se conhece.
Padre Michel Terrey
Desenganado do amor, mas não desenganado dos homens nem da vida.
Prof. Helwig Borchardt
Diplomata, biógrafo de Richelieu, homem de letras e homem de sociedade de primeira classe.
Marian
Jovem mãe de família, enternecida e enternecedora.
Pierre Marie
Médico e apóstolo da poesia.
De Martino
Poeta, editor e despojo de guerra

Gabriel Guitard
Poeta, lobo que veste a pele do cordeiro ou cordeiro que veste a pele do lobo.
Juan Diego Riera
Escritor espanhol no exílio, que vive o amor e o sonho sem lhes pedir demasias.
E muitas mais além destas, figuras que entram e saem da cena sem nela criarem musgo, mas deixando, por vezes, demorada ressonância.
in Diálogo em Setembro
FERNANDO NAMORA

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