Em Creta com o Minotauro II - à Crête avec le Minotaure...(Poésie de Jorge de Sena!)

Publié le par Rosario Duarte da Costa

EM CRETA COM O MINOTAURO – Jorge de Sena 1965

 

 

Quand je me trouve en situation d'angoisse, quand je crains

de perdre les pédales et, quand j'ai besoin d'être rassurée, je me retourne vers mes écrivains fétiche!

 

 

Em Creta com o Minotauro II

 

O Minotauro compreender-me-á.

Tem cornos, como os sábios e os inimigos da vida.

É metade boi e metade homem, como todos os homens.

Violava e devorava virgens, como todas as bestas.

Filho de Pasifaë, foi irmão de um verso de Racine,

que Valery, o cretino, achava um dos mais belos da “langue”.

Irmão também de Ariadne, embrulharam-no num novelo de que

                                                                                             se lixou.

Teseu, o herói, e, como todos os gregos heróicos, um filho da puta,

riu-lhe no focinho respeitável.

O Minotauro compreender-me-á, tomará café comigo, enquanto

o sol serenamente desce sobre o mar, e as sombras,

cheias de ninfas e de efebos desempregados,

se cerrarão dulcísimas nas chávenas,

como o açúcar que mexeremos com o dedo sujo

de investigar as origens da vida.

Jorge de Sena

Rosario Duarte da Costa

Copyright

10/09/2012

 

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