Copiar, não é roubar! No Blogue do Poeta Amadeu Baptista

Publié le par Rosario Duarte da Costa

 

Em Homenagem a Amadeu Baptista!

 

On peut être loin, et accèder au près...

On peut être absente et, devenir présente...

On peut paraître et, ne pas être...

On peut ignorer et, d'un coup apprendre...

 

Comme va-telle la Poésie Portugaise?!

Elle navigue dans la mer, tantôt calme, tantôt convulsive,

avec ses marins pêcheurs de Mots...

 

Je vous embrasse, Cher Poète!

 

 

Sábado, 30 de Junho de 2012

Inês Ramos em 'Meditação Sobre O Fim'

Meditação Sobre o Fim, Editora Hariemuj, Lisboa, 2012
Hoje, não só noticio a saída da antologia Meditação Sobre o Fim, que recentemente foi dada à estampa pela editora Hariemuj (e que reuniu um extenso número de colaboradores, cf. a respectiva contra-capa que acima se reproduz), como, no caso, agradeço à Inês Ramos o poema que lá fez publicar e que teve a bondade de me dedicar. Aqui o reedito, com a devida vénia e a expressão fraternal de uma amizade que se vai fazendo antiga:
para o Amadeu Baptista
Meu caro amigo
o fim chegou como uma flecha
e não encontro a chave
para decifrar o último enigma.
Pesam-me as pálpebras e as mãos.
Houve dias em que dancei
troquei beijos
sonhei.
Agora, perto do fim
resta-me a soma das lembranças.
Passada já a última dor
acerto os passos nos últimos versos.
Não me angustia a morte
mas os rios onde não deitei os meus olhos
as pétalas que não toquei
as melodias que não ouvi
as estrelas que não espreitei.
Não vale a pena esquivar o tempo
ir buscar a cana de pesca e abalar para o rio
contar histórias aos peixes que não mordem o isco.
Resta-me ainda nos olhos
um grande reservatório de sonhos
que se embaciam.
Mas nem um vestido negro tenho
para o meu próprio luto.
Meu caro amigo
promete cobrir-me de rosas vermelhas
amanhã.
Sei que vai chover.
Não chores por mim.
Cobre-me de rosas cor de sangue
e segue para casa.
Abre a caixa de selos que te enviei pelo correio
e procura neles
as minhas impressões digitais.
No silêncio da casa
tenta tu compreender a vida
enigma de todos os meus dias
esse traço estranho que me acompanhou sempre
essa etérea luz
nem sempre chama
nem sempre ténue.
O olhar escurece-me
e nestas palavras inúteis
medito sobre o fim.
Aconchego-me na despedida
sem saber o que fui
porque nunca me forneceram
o meu livro de instruções.
Inês Ramos nasceu no dia 22 de Agosto de 1965, em Agualva-Cacém. Mantém, desde 2006 o blogue sobre poesia “Porosidade etérea”, onde divulga os poetas e os seus livros. Foi responsável pela recolha, selecção e organização da antologia de poesia “Os Dias do Amor”, para a editora Ministério dos Livros,
com poemas de 365 autores, editada em Janeiro de 2009.

Rosario Duarte da Costa

Copyright

27/07/2012

Publié dans Auteurs Lusophones...

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