Cinco Poemas de "Eduardo Pitta"

Publié le par Rosario Duarte da Costa

E La Nave Va

Auteur des photos sur cette page:  SALVATORE sANTAGADA"olhares.com

 

A tua ausência
a encher-se de dunas.

Aquele bater de vidraças
na orla da praia.

O silêncio a insistir
a recusar-se ao rumor.

E a vida a fluir,
lá fora

 

Água-Viva

Duramente aprendemos.
O caos e a memória
delida.
Palavras poucas, e gastas.

 

Beija-Flor

 

Nenhum de nós passeia impune
pelos retratos: fazem-nos doer
os recessos da memória.

Deles saltam, por vezes, sustos,
primeiras noites, secreta
loucura, lábios que foram.

Interditam-nos sempre.
Trepam-nos pelo torpor
mais desprevenido, subsistem.

A sua perenidade é volátil
e cheia de venenosos ardis.
Um sopro no acetato.

Distintos, os seus contornos
não são nunca
os que supomos.

 

 

Mãe com Bebê no Colo 

A noite toda a selva
dissolvendo-se em sândalo
e esquecimento.

Casas, degraus a prumo, águas
despedaçadas. Equilíbrio precário
num fio de luz.

Sob uma lâmina de mica
um veneno espera por nós
em Trieste.

 

São Jorge/Oxóssi/Ogun 

Toda a noite a luz multiplicou
o instantâneo de um rosto intraduzível.
Esquiva, a tua morte não escapou
à ladainha de regra.

Correu uma versão torpe quando
te viram a sorrir
uma ironia de druida clandestino,
indiferente à voragem dos bárbaros.

[Desobediência -

Poemas Escolhidos, Dom Quixote, 2011]

Rosas pra IsaBela

 

Rosario Duarte da Costa

Copyright

03/07/2012

 

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