Cesário Verde!

Publié le par Rosario Duarte da Costa

 

 

  Cesário Verde

 

 

A morte rondava-lhe sempre perto. Da morte dos dois irmãos  Joaquim e Júlio, à doença que o acompanhava, Cesário sabia

que a vida lhe seria curta...

Cesário, tinha uma visão circular do mundo, e a experiência

tortuosa da doença que trazia agarrada a ele.

Foi um  homem sentado no cadeirão da lucidez, um poeta

oscilando entre as tempestades da vida e, uma resignação

à morte!

 “Se eu não morresse, nunca! E eternamente

Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!”

Cesário Verde

(1855- 1866)

Rosario Duarte da costa

Copyright

04/03/2012

 

http://purl.pt/22529/1/poeta/pag3.html

 

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  O poeta reconhecendo-se

 

Com seis meses de factura é provável que O Sentimento dum Ocidental tenha sido ultimado em Abril de 1880, mês em que Cesário o propôs a Emídio de Oliveira, responsável pelo número único Portugal a Camões (destinado a comemorar o tricentenário camoneano): «Julgo que fiz notar menos mal o estado presente desta grande Lisboa que em relação ao seu glorioso passado, parece um cadáver de cidade» introduzia o autor ao enviar o poema que o destinatário entendeu como «descrição originalíssima da vida lisbonense».

Logo após a sua morte , Mariano Pina recordou em A Ilustração «a bela poesia» «imensamente discutida e caluniada», «escrita numa linguagem nova, revolucionária», «impregnada de um pessimismo sincero e sentido». Jorge Verde em 1934 acrescentaria que ela «chocou muitos pelo seu anti-catolicismo, porque Cesário era um livre-pensador». A repartição em «Ave-Marias», «Noite Fechada», «Ao Gás» e «Horas Mortas» é da responsabilidade de Silva Pinto assim comparecendo n´O Livro de Cesário Verde.

 

O Grupo do Leão por Columbano
O Grupo do Leão por Columbano

  José Malhoa, António Ramalho ou os irmãos Bordalo Pinheiro, que faziam parte do grupo pontificado pelo professor de paisagem Silva Porto, já teriam notícia do impressionismo eclodido em Paris no ano de 1874. Mas quem começou por transpô-lo em letras portuguesas, foi Cesário Verde.
 

O Grupo do Leão (da cervejaria Leão de Ouro na Rua do Príncipe) ou tertúlia de literatos e pintores que se tinham pelos modernos de então, constituiu-se em 1881. Entre os primeiros Fialho de Almeida e Cesário que, com Abel Botelho, Alberto de Oliveira, D. João da Câmara, Gualdino Gomes ou Mariano Pina, se opunham ao naturalismo da pintura defendendo a arte como expressão autêntica do pensamento em oposição à cópia da natureza previligiada então pelos dissidentes.

  Restaurante Leão de Ouro
Restaurante Leão de Ouro
 

Nós, apresentada em carta ao jornalista e editor em Paris como «talvez a minha produção última, final» (e, com efeito, a última dada a público), panegírico da vida campestre e «geórgica admirável» segundo Eugénio de Andrade -, do culto da família e da infância própria, bem como premonição do «medonho muro» que suspende a existência, saiu em Paris n' A Ilustração em 5 Setembro 1884. Durante a composição dela morrera o irmão Joaquim Tomás, «pobre rapaz robusto e cheio de futuro», vitimado pela mesma tísica pulmonar que levara a irmã Maria Júlia (longamente convocada no poema), a qual acabaria por atingir o próprio poeta e, em idade avançada, o irmão Jorge.

As sentidas palavras com as quais Cesário encaminhou os versos a Mariano Pina, director da revista - «um pequeno poema que fiz com todo o esmero de que sou capaz» «um trabalho réussi, correcto, honesto e dum sentimento simples e bom» - poderiam também aplicar-se às quadras impressionistas De Tarde, às quintilhas evanescentes De Verão, bem como à composição incompleta Provincianas, qualquer delas deixada inédita pelo autor.

Porém o mesmo estado de desânimo exposto a Mariano Pina aquando da expedição parisiense, era ainda corroborado pela última quadra da composição Nós (preservada pelo director de A Ilustração) e que aponta razões para o silêncio editorial que precedeu a morte do poeta em Julho de 1886, no Largo da Ermida, ao Paço do Lumiar:

manuscrito

«E agora, de tal modo a minha vida é dura
Tenho momentos maus, tão tristes, tão perversos
Que sinto só desdém pela literatura
E até desprezo e esqueço os meus amados versos!»

 
Mariano Pina
Mariano Pina
 
«Ele bem me queria convencer que o poeta tinha morrido e que hoje só pensava na vida activa e laboriosa de negociante» havia de recordar Mariano Pina após o falecimento de Cesário, evocando as suas impressões da viagem de trabalho de cinco semanas a Bordeaux (e ao Paris de Victor Hugo), em 1883, tendo por objectivo a exportação de vinhos e a comercialização de artigos. Mas se é certo que o director d´A Ilustração opunha ao depoimento do poeta que «o artista traía-o a cada passo», «a quimera azul de transmigrar» para Paris (deixando Portugal «foco de mandriice e de asneiras»), que desde então enlevou Cesário, e o seu retraimento editorial, parecem sustentar, em grande parte, tal interpretação.
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