A Festa de Maio/La Fête de Mai: (António Feliciano de Castilho)

Publié le par Rosario Duarte da Costa

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(António Feliciano de Castilho)

 

Il y a des jours où, plus qu'à d'autres, on  a envie de  partir

en quête  d'autres temps et, d'autres histoires, pour pouvoir

lire notre propre histoire!

Le retour de Castilho vers les auteurs classiques, sa quête de bonheur dans un respect intégral pour dame nature!

Il fête Mai, avec ses champs fleuris, les hommes qui travaillent durement la terre, c'est un éloge à dame nature!

   

Inteiramente!... Não pode ser, que esse inteiramente

não cabe ao

   

mundo; porém, menos desgraçados e menos ruins que os outros, os da

cidade, crêde firmemente que o sois.

(...) Mas crêde, fiae-vos em mim: lançadas bem as contas por

quem experimentou ambos os vivêres, os menos maus dos maus, e dos

infelizes os menos desventurados, sois vós.

E a mais ireis, quando mais d’estas verdades vos convencerdes;

que já lá dizia, há dois mil annos, outro poeta bem vosso amigo (como

todos os de veras o são), um poeta que só para vós escreveu uma das

mais admiraveis obras do mundo. –“Oh! Ditosos, ditosissimos os

lavradores, se elles acabassem de entender as suas ditas!...”

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Já vêdes, como podeis esmolar virtudes e satisfação aos

desconsolados das ruas largas e das praças espaçosas.

(...) Não digais nada a ninguem; mas todas essas lastimas, que

vos deplorais há tantos annos, hão-de findar, como quer que seja,

com a estada dos ricos entre vós.

O solo mesmo sente que em vossas casas fallece a prata e o

cobre. Ora deixae-os residir por ahi alguns mezes, e dir-me-heis, e

dir-me-há o mesmo solo, e ainda mais galhardamente que vós, se das

cidades enriquecidas pela Agricultura não refluiu a final algum oiro

para os campos.

 

(pp.130-132)

 

  

A Festa de Maio/La Fête de Mai

 

 

“Eis, amigos, ao campo! Há já três horas

que os Trindários Irmãos no aéreo espaço

viram do meio-dia o rosto ardente.

Eis amigos, ao campo! As horas voam,

e o Maio alegre às festas nos convida.

Os Zéfiros ligeiros, embalando

du parreiral à trémula folhagem,

ao rio, ao barco, estão chamando a turba.

 

O deus menino, o gracioso Maio

não vamos celebrar na fresca Lapa?

Pois que se tarda? Os númens não consentem

no culto seus ministros preguiçosos.

Chamai à pressa as pastoris Camenas,

tomai as flautas, coroai as frontes

com as grinaldas, que em prémio vos cingiram

da Primavera na primeira tarde.

 

..............................................................

Ninfa adorada pelo deus da Arcádia,

deus dos pastores, inventor da flauta,

sacrílego furor não nos incita.

Não te ofendas, se agora as nossas dextras

de tuas canas adornadas vires?

Sua altivez airosa nos agrada;

vates somos; os trémulos seus cumes

ondulando, os lascivos seus abraços

a cada viração que vai fugindo,

tudo isso nos namora e, diz poesia.”

António Feliciano de Castilho

In: A Primavera/Le Printemps

Rosario Duarte da Costa

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04/10/2012

Publié dans Auteurs Lusophones...

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