(Photo de
Joao Palmela)
Nada sei senão desse lugar
donde venho rastejando
com o que sou, sem saber
porque o sou e,
o espelho nada me diz
A não ser esta incerteza
que faz viver cada dia
mais profundamente,
num tempo imposto
murmurando-me
a cada hora,
que a morte se aproxima!
Rosario Duarte da Costa
06/05/1998
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com o telhado peludo,
às vezes careca.
A boca é a porta,
fechada ou aberta
conforme o desejo.
Com as janelas dos olhos
viradas pr’ a alma
e, as ruas em frente.
A chave é o espírito
Onde tu mergulhas...
Ela, por vezes desliza
outras paraliza
nos ferros dos dias!
Cabeça:
tu entras ou sais
de dia ou de noite,
entre memórias
e futuros
ainda indescobertos.
Por aí vais,
carregada de histórias
e de frutos maduros...
E, entras e sais
Por entre os teus muros!
Rosario Duarte da Costa
05/04/2003
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Photo ancienne de" A Brasileira" Lisboa
Fala o realejo
ali à esquina,
a fazer solfejo
com a concertina.
E, eu a ouvir
as notas caír,
tão perto de mim
com um só desejo...
De ouvir o solfejo
entre o céu que vejo
e as estrelas caindo
sobre o meu desejo.
Rosario Duarte da Costa
01/03/2003 Copyright
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